domingo, 19 de agosto de 2012

Leituras


Alcéa Romano no lançamento de seu livro Poesia do viver em Morro do Ferro

Eduardo Almeida Reis

    Não me lembro se foi Affonso Romano ou Ignácio de Loyola, mas foi cronista do primeiro time a queixar-se, outro dia, da falta de tempo para ler todos os livros que lhe mandam. Igualmente séria é a situação de um philosopho amigo nosso, que não tem folga nem se quer para ler os livros que compra.
    Componho estas bem traçadas diante de dois livros recém-adquiridos, que preciso ler porque já sei que vou gostar muito. São eles a Poesia do viver, de Alcéa Romano, e Trilogias, contos de vida e de morte, de José Bento Teixeira de Salles.
    Vamos com calma, que Roma e os romanos não foram feitos num dia. Alcéa nasceu no Morro do Ferro e é a oitava de uma prole de 15 filhos de Waldete e Demosthenes Romano. Seu pai, de tão sério, usava gravata até para pescar e dona Waldete, senhora de muitas virtudes, não raras vezes perde seu precioso tempo lendo a coluna Tiro & Queda.
    Tenho medo das filhas do casal Romano, porque ainda me lembro da forte impressão que uma delas me causou, quando passou de carro com o irmão e a cunhada para almoçar em nossa fazenda trirriense. Foi no tempo em que o jovem fazendeiro ainda estava sujeito às emoções fortíssimas e a soma da beleza com a simpatia e a inteligência da visita bagunçou o coreto philosophal.
    Levei mais de 30 anos remoendo aquela visão celestial e só recentemente revi a jovem e bela senhora. Ouso dizer que hoje somos amigos. Cuidemos do livro de sua irmã.
Alcéa é planta da família das malváceas, muito cultivada nos jardins pela beleza de suas flores. O nome da autora de Poesia do viver deve ter sido escolhido pela beleza da flor e dos versos que Alcéa faria. Ou, então, pelo verbo alcear, pôr no alto, alçar. As fotos da poetisa na orelha do livro mostram que Waldete e Demosthenes adivinharam o visual da filha depois de adulta, além de adivinhar o alcear de sua poesia.
    Do livro de José Bento ainda não posso falar, mas já gostei e me baseio no seu Passageiro do tempo, um dos melhores livros de memórias publicado em língua portuguesa. Santo de casa não faz milagres e José Bento, sendo cronista do Estado de Minas, só entusiasmou a redação no dia em que um colega leu suas memória se comentou com o jornalista da mesa vizinha, até que todos lera me se convenceram de que é realmente um livro excepcional (...).








Fotos do lançamento do livro Poesia do Viver em Morro do Ferro e Oliveira, nos dias 05 e 06 de julho de 2012. Crônica de Eduardo Almeira Reis, publicada no jornal Estado de Minas, coluna Tiro e Queda, caderno Gerais, pagina 23, em 11 de agosto de 2012
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