sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Olha só que visual

Imagens vencedoras da primeira seletiva do concurso são convites a conhecer as riquezas culturais e naturais que existem, com muita fartura, em Minas Gerais.
A participação é aberta a todos

BÁRBARA FONSECA

De um lado, tradição e fé que se manifestam em belos exemplares arquitetônicos e em cânticos que ganham força com as batidas de tambores e danças expressivas. De outro, a natureza em perfeito estado de conservação, oferecendo espetáculo aos que buscam paz e, também, aos aficionados por adrenalina. Com a distância de cerca de 500 quilômetros entre um e outro, os dois roteiros foram cenários para as fotos vencedoras da primeira seletiva do concurso Paisagens Mineiras, uma realização do Estado de Minas, com promoção dos Diários Associados e patrocínio da Petrobras.

No rastro de Sidney de Almeida e Jean Carlo de Oliveira, autores, respectivamente, dos cliques feitos nas cidades de Oliveira e Espera Feliz, o turista vai encontrar muito mais do que belas imagens. A começar por Oliveira, pertinho da capital, distante apenas 142 quilômetros. Prestes a comemorar 150 anos de emancipação, a cidade natal do cientista Carlos Chagas é fonte preciosa de manifestações culturais que vão do sagrado ao profano sem perder o encanto. Caso dos festejos do reinado de Nossa Senhora do Rosário, ou congado, que desde 1813, registro mais antigo da manifestação, ocorrem no município. Hoje, cerca de 20 guardas (também chamadas de ternos) enchem de cor e música a festa, que é entre o primeiro domingo de agosto, quando são erguidas as bandeiras em homenagens aos santos padroeiros, e o segundo domingo de setembro.


De provocar arrepios em quem assiste, um dos pontos altos da festa é a missa conga, uma homenagem aos congadeiros falecidos. Na praça da Igreja de São Sebastião, as guardas de congado surgem imponentes, cada qual caracterizada segundo mandam as tradições. Sob as bênçãos de Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora Aparecida, São Benedito, Santa Efigênia e Nossa Senhora das Mercês, os devotos entram no templo religioso provocando um verdadeiro estrondo com seus tambores, sanfonas, chocalhos e, é claro,a voz. De noite, na porta da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Oliveira, um palco faz as vezes de altar, onde reis, rainhas, príncipes e princesas passam suas coroas para os sucessores. O espetáculo tem como figura ilustre a majestade Chico Rei VI, rei congo de Minas Gerais, encarnado pelo morador José Patrício de Oliveira. Coroado em 1999, José Patrício é figura a quem vale a pena dedicar alguns dedos de prosa. De sua boca, sempre pronta para verbalizar conhecimento, o ouvinte aprende um pouco sobre a trajetória do reinado do Rosário no Brasil. Mas Oliveira é mais do que isso. O carnaval da cidade, um dos mais famosos do estado, chega a levar cerca de 20 mil pessoas às ruas. De forte apelo cultural, a festa conta com blocos tradicionais, como o Cai N’água, cujos integrantes surgem encapuzados fazendo travessuras, como jorradas de água, aos foliões. Na casa de Cultura Carlos Chagas, abrigada em casarão de 1884, na Praça XV de Novembro (da Matriz), o visitante encontra fotos e exposições sobre as festas tradicionais da cidade, uma mostra do artesanato local, além de acervo sobre a vida de Carlos Chagas, médico sanitarista que descobriu o protozoário Trypanosoma cruzi (cujo nome foi uma homenagem ao amigo Oswaldo Cruz)e a tripanossomíase americana, conhecida como doença de Chagas.

Estado de Minas, caderno Turismo, 13 de setembro de 2011, página 8
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